Encontro de alguns vereadores com a líder do governo, Kamilla Rocha, apresentado como movimento de alinhamento político, deixa parte do Legislativo de fora e expõe divisão no Legislativo municipal.

O encontro ocorrido no último domingo (20) reuniu nove vereadores e teve como figuras centrais a líder do governo Rodrigo Borges na Câmara, vereadora Kamilla Rocha, e o vereador Wendel Lima, que fez questão de publicar o encontro em suas redes sociais.

Apresentada publicamente como uma reunião de alinhamento e diálogo sobre o futuro de Guarapari, a movimentação, além de ter produzido um efeito paralelo que evidenciou divisões dentro do próprio Legislativo, e pode ter mostrado que, na opinião do governo, os vereadores Tainá Coutinho (PRD), Felix Juliatti (PRD), Marcelo Rosa (MDB), Professor Luciano (PP), Rosana Pinheiro (PSD), Thiago do Casal Policial (PL), Vinicius Lino (PL) e a presidente da Casa, Sabrina Astori, não devem discutir o futuro da cidade.

Fica evidente que a líder do governo, vereadora Kamilla Rocha, sob a condução do vereador Wendel Lima, não pretende tratar o futuro da cidade com os vereadores de primeiro mandato que vêm adotando posições de maior independência em diferentes pautas e fiscalizações, mas apenas com os que preferem chamar o prefeito de “prefeitão”.

Futuro da cidade ou eleição da Mesa Diretora?

O vereador Wendel Lima fez questão de destacar nas redes sociais que o encontro contou com nove parlamentares. O número não passou despercebido no ambiente político, especialmente diante das conversas que já circulam sobre a vontade do vereador de assumir o comando da Câmara.

Wendel é um dos nomes mencionados nos bastidores quando o assunto é a futura presidência da Casa. Nas sessões, o vereador tem reforçado publicamente seu alinhamento com o prefeito Rodrigo Borges e se colocado como um dos defensores da administração municipal para conquistar o espaço necessário para disputar a presidência.

Outra possibilidade comentada no meio político é que, caso seu nome encontre dificuldades para reunir os votos necessários, uma eventual composição do grupo possa passar pela própria Kamilla Rocha.

Nas sessões, os oradores não deixam dúvidas quanto à disputa, quando aproveitam as falas para criar animosidade entre adversários e o prefeito.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que os nove vereadores presentes tenham firmado qualquer compromisso relacionado à eleição da Mesa Diretora. A fotografia política produzida pelo encontro, entretanto, foi suficiente para alimentar as interpretações sobre a possível formação de um bloco dentro do Legislativo.

E essa movimentação tem peso e tem lado.

O futuro da cidade e dos servidores

Thiago Magno esteve presente no encontro que discutiu o futuro da cidade.

Durante o alinhamento e a discussão sobre o futuro da cidade, estava presente o vereador Thiago Magno (Republicanos), provavelmente para direcionar as pautas referentes aos servidores públicos do município.

Vereadores que não participaram do encontro

A publicação do vereador Wendel apresenta a busca pelo protagonismo

Wendel Lima vem buscando ampliar seu protagonismo nas discussões políticas de Guarapari.

Além das movimentações relacionadas à Câmara, o vereador chegou a citar Kamilla Rocha, durante a última sessão do Legislativo, como um nome que poderia integrar uma eventual chapa como vice de Rodrigo Borges em uma futura disputa pela reeleição.

A manifestação mostra Wendel procurando ocupar espaço não apenas nas discussões internas da Câmara, mas também no debate sobre o futuro político do grupo governista.

Nesse cenário, a eleição da Mesa Diretora deixa de ser uma disputa restrita ao Legislativo e passa a integrar um tabuleiro político mais amplo, cujos movimentos podem produzir reflexos até 2028.

Novatos ficam de fora

Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de vereadores de primeiro mandato, entre eles Tainá Coutinho (PRD), Thiago Garrocho (PL), Vinicius Lino (PL) e Félix Juliatti (PRD).

Os parlamentares vêm demonstrando independência em diferentes pautas e fiscalizações. Isso não significa, necessariamente, rompimento ou oposição ao Executivo, mas revela uma postura de maior autonomia diante das demandas que chegam ao Legislativo. Os vereadores querem exercer os seus deveres, mas têm sido ignorados e, como mostra o encontro, afastados.

A ausência desses vereadores, porém, contrasta com o discurso de ampliação da unidade e de construção de uma agenda política para o futuro.

Se a proposta era fortalecer o diálogo da base e discutir os próximos passos do grupo, a ausência de parlamentares que também mantêm interlocução com o governo provoca uma pergunta inevitável nos bastidores: quem, afinal, está dentro do núcleo político que começa a ser formado?

Vereadores discutem o futuro da cidade ou discutem quem permanece no núcleo do governo e quem não é bem-vindo?

Ainda mais significativa foi a ausência da presidente da Câmara, Sabrina Astori, que demonstra compromisso e parceria com o prefeito Rodrigo Borges.

À frente do Legislativo, Sabrina mantém relação institucional e política com o prefeito Rodrigo Borges, ao mesmo tempo em que conduz a administração da Casa e preserva uma atuação política própria.

Por isso, sua ausência em uma reunião conduzida pela líder do governo e voltada à articulação da base ganhou destaque nas conversas de bastidor.

A movimentação ocorre justamente quando a futura presidência da Câmara começa a entrar no radar dos vereadores. Nesse ambiente, deixar a atual presidente fora de um encontro que reúne nove parlamentares produz uma mensagem política, ainda que nenhuma ruptura tenha sido anunciada.

O episódio pode representar apenas uma reunião de parte da base. Mas também expõe um distanciamento entre grupos que, até aqui, conviviam dentro de um mesmo campo de relacionamento com o Executivo.

Reunião deixa tensão como saldo

Independentemente do objetivo central do encontro, o saldo político imediato foi o aumento das especulações e da tensão dentro da Câmara.

Nos bastidores, há quem sustente que a movimentação teria ocorrido com conhecimento do prefeito Rodrigo Borges, com atuação direta de assessores. Até o momento, porém, não há manifestação pública que permita afirmar qual foi a participação do chefe do Executivo na articulação.

O fato é que vereadores que mantêm diálogo com o governo, mas também cobram atendimento às suas reivindicações e defendem liberdade para fiscalizar a administração, ficaram fora do encontro. A própria presidente do Legislativo não esteve presente.

Quando uma articulação reúne nove vereadores e deixa outros parlamentares de fora, a mensagem política transmitida pela fotografia pode acabar sendo tão relevante quanto aquilo que efetivamente foi discutido à mesa.

A disputa pela próxima Mesa Diretora ainda terá muitos capítulos e nenhuma composição está oficialmente definida. Mas os primeiros movimentos já começaram.

E, se a intenção da reunião de domingo era demonstrar unidade da base, o efeito produzido nos bastidores foi diferente: as divisões ficaram mais visíveis e a corrida pelo comando da Câmara ganhou um novo ingrediente de tensão.

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