Adversários apostam no mesmo candidato ao Governo do Estado. Enquanto Edson Magalhães mantém o apoio desde o primeiro turno, Rodrigo Borges muda de lado na reta final. Uma eventual vitória de Pazolini poderá antecipar a disputa pelo futuro político da Cidade Saúde.

O segundo turno das eleições para o Governo do Espírito Santo trouxe uma movimentação curiosa aos bastidores da política de Guarapari. Dois adversários que não se gostam e, segundo informações do meio político, sequer mantêm diálogo, o ex-prefeito Edson Magalhães e o atual prefeito Rodrigo Borges, agora compartilham um mesmo objetivo: eleger Lorenzo Pazolini governador.

Entretanto, existe uma diferença importante entre os dois posicionamentos. Enquanto Edson Magalhães manteve seu apoio a Pazolini desde o primeiro turno, Rodrigo Borges, que caminhava politicamente com Ricardo Ferraço, decidiu mudar de time justamente na reta final da disputa.

Segundo informações de bastidores, a mudança de Rodrigo ocorreu discretamente, sem grandes manifestações públicas. O prefeito teria colocado seu grupo político em campo, mobilizando assessores, diretores de empresas e apoiadores para pedir votos ao candidato do Republicanos.

A movimentação chama a atenção porque Rodrigo enfrenta um momento de desgaste administrativo e precisa manter uma relação institucional produtiva com o próximo governador para buscar investimentos e soluções para os problemas que se acumulam em Guarapari.

Rodrigo muda de lado, enquanto Edson volta a ser lembrado pela população

A administração Rodrigo Borges enfrenta críticas relacionadas à infraestrutura, obras paralisadas, problemas na limpeza urbana e dificuldades na prestação de serviços públicos essenciais.

O cenário tem produzido um fenômeno curioso nas conversas políticas da cidade: o nome do ex-prefeito Edson Magalhães voltou a ganhar espaço entre moradores que comparam a atual administração com gestões anteriores.

Embora Edson também tenha enfrentado críticas durante seus mandatos, as dificuldades da atual gestão têm levado parte da população a reavaliar o período em que o ex-prefeito esteve à frente do município.

E há um detalhe que torna essa situação ainda mais intrigante: Edson e Rodrigo não mantêm proximidade política e continuam representando grupos adversários na Cidade Saúde.

O que os aproxima neste momento não é uma reconciliação, mas a aposta no mesmo candidato ao Governo do Estado.

Ricardo Ferraço aparece à frente no agregador da EXAME e aumenta a incerteza eleitoral

A mudança de posicionamento de Rodrigo Borges pode representar uma aposta política arriscada.

Isso porque a imagem do Agregador Eleitoral Inteligo/EXAME, apresentada ao PolíticaES e consultada neste sábado (24), mostra Ricardo Ferraço com 50,6%, contra 49,4% de Lorenzo Pazolini, uma diferença de 1,2 ponto percentual.

Os números colocam Ferraço numericamente à frente nessa estimativa agregada e reforçam a possibilidade de uma disputa acirrada no domingo (25). É importante observar, entretanto, que o agregador reúne levantamentos e não representa uma pesquisa individual nem uma previsão definitiva do resultado eleitoral.

Outros levantamentos apresentam cenários diferentes. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 21 de outubro, por exemplo, apontou Pazolini com 52,4% e Ferraço com 39,8% das intenções de voto.

O cenário torna ainda mais interessante a decisão de Rodrigo Borges de se afastar politicamente do grupo de Ricardo Ferraço justamente na reta final da eleição.

A mudança de posicionamento do prefeito já seria de conhecimento de Ferraço, que mantém em Guarapari o apoio do deputado estadual Zé Preto e de outras lideranças políticas.

A pergunta é inevitável: Rodrigo Borges mudou de lado acreditando estar embarcando no projeto vencedor, mas será que não corre o risco de terminar a eleição politicamente enfraquecido?

Pazolini terá que escolher entre Edson e Rodrigo em 2028?

Uma eventual vitória de Lorenzo Pazolini poderá abrir uma disputa ainda mais interessante pelo protagonismo político em Guarapari.

De um lado estará Edson Magalhães, que permaneceu ao lado de Pazolini desde o primeiro turno, participou de sua campanha no município e integra um campo político que também tem como referência o ex-governador Paulo Hartung.

Do outro, Rodrigo Borges, atual prefeito, que teria mudado de posicionamento no segundo turno e poderá buscar espaço político em uma eventual administração de Pazolini.

A situação cria um cenário delicado. Afinal, Edson e Rodrigo não se falam, possuem projetos distintos e representam grupos que disputam influência sobre o futuro político da Cidade Saúde.

Pazolini prestigiará Edson Magalhães, que permaneceu ao seu lado desde o início, ou dará preferência a Rodrigo Borges, que chegou depois, mas ocupa atualmente a Prefeitura?

A questão ganha ainda mais importância quando o olhar se volta para 2028, ano das próximas eleições municipais.

Se Rodrigo Borges buscar a reeleição, poderá encontrar em Edson Magalhães um adversário politicamente fortalecido. E, nesse cenário, o posicionamento de Pazolini poderá ter peso significativo na composição das forças eleitorais.

O detalhe é que o apoio ao mesmo candidato em 2026 não significa que os dois estarão juntos em 2028.

Pelo contrário. A vitória de Pazolini poderá transformar dois apoiadores em concorrentes pelo apoio do mesmo governador.

Rodrigo Borges pode perder mesmo que Pazolini vença?

O segundo turno poderá terminar neste domingo, mas seus efeitos políticos em Guarapari estão longe de acabar.

Rodrigo Borges teria apostado em uma mudança de lado. Edson Magalhães permaneceu onde estava. Ricardo Ferraço, por sua vez, continua na disputa com aliados que não abandonaram seu projeto eleitoral.

Se Ricardo Ferraço vencer, Rodrigo poderá enfrentar o desafio político de reconstruir sua relação com o governador que deixou de apoiar.

Se Pazolini ganhar, o prefeito poderá encontrar outro problema: disputar espaço com Edson Magalhães, que já possui uma relação política consolidada com o candidato.

Existe ainda um ingrediente que torna esse cenário mais intrigante: enquanto Rodrigo enfrenta críticas pela condução da Prefeitura, Edson volta a ser lembrado por parte da população justamente em razão das dificuldades da atual administração.

A política tem dessas ironias. Às vezes, o maior responsável pelo fortalecimento de um adversário não é o trabalho da oposição, mas os erros de quem está no poder.

O verdadeiro jogo político pode começar depois das urnas

A movimentação de Rodrigo Borges abre espaço para uma reflexão sobre o futuro político de Guarapari.

Ao buscar uma aproximação com Pazolini, o prefeito pode estar tentando construir uma alternativa para enfrentar as dificuldades administrativas e garantir apoio político para os próximos anos.

Entretanto, essa escolha também poderá fortalecer justamente um adversário que já possui uma relação mais antiga com o candidato ao Governo do Estado.

E fica a pergunta: se Pazolini vencer, quem terá mais valor político em 2028 — Edson, que acreditou desde o primeiro turno, ou Rodrigo, que teria mudado de lado na reta final?

Mais intrigante ainda: será que Rodrigo Borges, ao tentar garantir seu futuro político apoiando Pazolini, não estará ajudando a fortalecer justamente aquele que poderá se tornar seu principal adversário nas próximas eleições municipais?

Afinal, se Ricardo Ferraço vencer, Rodrigo poderá ter que reconstruir pontes com o governador. Se Pazolini ganhar, poderá encontrar Edson Magalhães ocupando um espaço político que talvez não esteja disposto a dividir.

No fim das contas, Rodrigo Borges pode descobrir que, na política, mudar de lado não significa necessariamente encontrar uma saída. Às vezes, significa apenas trocar de adversário.

Em Guarapari, a eleição para governador termina neste domingo. Mas a pergunta que poderá movimentar os bastidores até 2028 já está colocada: quando chegar a hora de escolher, Pazolini ficará com Edson ou Rodrigo?

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