Enquanto 110 trabalhadores cruzam os braços por falta de pagamento, sindicato afirma que direção da CODEG já conhecia o problema. Vereadora Tainá Coutinho cobra explicações e Rodrigo Borges publica vídeo sobre climatização escolar em meio à crise.

A crise na limpeza urbana de Guarapari ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (21). Desde segunda-feira (19) o Portal Política ES divulga matérias sobre problemas envolvendo a CODEG. Hoje, aproximadamente 110 trabalhadores paralisaram suas atividades devido ao atraso no pagamento, provocando a suspensão integral da coleta de lixo no município.

A presidente do Sindilimps-ES, Ivani dos Santos, denunciou que os atrasos não são episódios isolados, mas problemas recorrentes que vêm comprometendo a segurança financeira dos trabalhadores.

“Quando chega o dia do pagamento, eles nunca sabem que dia vão receber”, afirmou Ivani, expondo a insegurança enfrentada pela categoria.

Segundo a sindicalista, o diretor-presidente da CODEG, Ubirajara Ribeiro, já tinha conhecimento da situação, pois o sindicato vinha mantendo conversas com a direção da companhia e com a fiscalização do contrato sobre os atrasos. A entidade também havia alertado que uma nova ocorrência poderia provocar a paralisação dos serviços.

Durante reunião com representantes da CODEG e da empresa contratada, foi informado, segundo Ivani, que existiriam repasses pendentes desde julho. A empresa teria apontado uma dívida próxima de R$ 6 milhões, valor que ainda depende de confirmação documental.

“E quem paga essa conta? São os trabalhadores, que já venderam sua mão de obra, que trabalham debaixo de sol e chuva”, criticou a presidente do sindicato.

Vereadora Tainá Coutinho cobra explicações

A situação também provocou manifestação da vereadora Tainá Coutinho, que gravou um vídeo cobrando explicações sobre os problemas envolvendo a limpeza urbana de Guarapari.

A manifestação da parlamentar amplia os questionamentos sobre a responsabilidade da administração municipal e a necessidade de esclarecimentos sobre os atrasos que resultaram na paralisação.

Em meio à paralisação, prefeito divulga vídeo sobre ar-condicionado em escola

Na noite desta quarta-feira (21), enquanto a cidade enfrentava a paralisação da coleta de lixo, o prefeito Rodrigo Borges utilizou suas redes sociais para divulgar um vídeo informando que os aparelhos de ar-condicionado de uma escola finalmente estavam funcionando.

Segundo as informações relatadas, os equipamentos já haviam sido anunciados meses antes, mas permaneceram sem funcionar devido à ausência da instalação elétrica necessária.

A climatização das escolas é importante, mas a divulgação do vídeo justamente em meio à crise da limpeza urbana levanta questionamentos sobre a maquiagem na transparência com o povo da cidade.

Enquanto trabalhadores cobram pagamentos e a população espera explicações sobre a coleta de lixo, o prefeito busca tapar o sol com a peneira falando de ar condicionado em uma escola

A sequência de acontecimentos alimenta críticas de que a administração estaria tentando esconder os problemas promovendo visibilidade às entregas.

Festas em evidência, salários em risco

Festival de Arrocha realizado pela prefeitura de Guarapari.

Enquanto a Prefeitura destina recursos à realização de festas e eventos, a paralisação da coleta de lixo coloca em discussão as prioridades administrativas do prefeito Rodrigo Borges.

Como justificar gastos com festividades excessivas enquanto trabalhadores responsáveis por um serviço essencial enfrentam atrasos recorrentes e a população sofre com a interrupção da coleta?

Os gastos com eventos não comprovam, por si só, a causa dos atrasos. Entretanto, diante das denúncias, a gestão precisa esclarecer sua situação financeira, a execução dos contratos e as medidas adotadas para assegurar a continuidade dos serviços.

A Câmara Municipal precisa se posicionar

A Câmara Municipal de Guarapari precisa se posicionar com urgência sobre o caos que a administração Rodrigo Borges tem gerado ao município de Guarapari.

Prefeitura reconheceu problemas na gestão da CODEG

A paralisação ocorre após a publicação do Decreto nº 553/2026, por meio do qual a Prefeitura retirou da CODEG a responsabilidade pela gestão da coleta e destinação de resíduos sólidos, transferindo a atribuição para a Secretaria Municipal de Obras (SEMOB).

No documento, a própria administração menciona “percalços verificados na gestão do contrato de coleta de resíduos sólidos”.

A decisão ganha ainda mais relevância diante das declarações da presidente do sindicato, que indicam que a direção da companhia já havia sido alertada sobre os atrasos.

Se os problemas eram conhecidos, por que não foram solucionados antes da paralisação? Qual é o valor real da dívida com a empresa? E como a Prefeitura pretende assegurar os pagamentos e restabelecer a coleta?

Além disso, Ivani relatou o encerramento antecipado de contratos de limpeza de mangues e paisagismo, ampliando as preocupações sobre a continuidade dos serviços.

A sucessão de problemas coloca em discussão os rumos da administração Rodrigo Borges e o risco de retrocesso na prestação dos serviços públicos. A divulgação de realizações administrativas não substitui a obrigação de prestar esclarecimentos sobre as dificuldades enfrentadas pelo município.

Guarapari precisa de respostas, planejamento e transparência. A população não pode ficar sem coleta de lixo, assim como os trabalhadores não podem permanecer sem saber quando receberão pelos serviços prestados.

Segundo o sindicato, a paralisação continuará até que os pagamentos sejam regularizados.

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