Após chamar críticos de “desocupados”, presidente da CODEG sofre esvaziamento de atribuições por decisão do prefeito Rodrigo Borges, que admite oficialmente problemas na gestão do contrato de coleta de lixo.

A crise na Companhia de Melhoramento e Desenvolvimento Urbano de Guarapari (CODEG) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (20). Após informações sobre a possível exoneração do diretor-presidente Ubirajara Ribeiro, o prefeito Rodrigo Borges decidiu mantê-lo no cargo, mas retirou da companhia uma de suas maiores responsabilidades: a gestão da coleta e destinação do lixo municipal.

O Decreto nº 553/2026 transfere os serviços para a Secretaria Municipal de Obras (SEMOB) e apresenta uma justificativa comprometedora para a própria administração: “percalços verificados na gestão do contrato de coleta de resíduos sólidos”.

Em outras palavras, o prefeito reconhece oficialmente problemas de gestão, mas mantém no comando da companhia o dirigente responsável por sua administração.

Presidente chama críticos de desocupados, mas decreto contradiz discurso

Na segunda-feira (19), Ubirajara Ribeiro publicou uma fotografia com trabalhadores da CODEG e escreveu:

“Enquanto os desocupados espalham mentiras a gente segue trabalhando cuidando da cidade”.

Entretanto, apenas um dia depois, a própria Prefeitura publicou um decreto retirando da companhia a gestão de um dos contratos mais importantes e financeiramente relevantes do município.

O presidente chama críticos de desocupados, enquanto o prefeito reconhece problemas de gestão. Afinal, quem está faltando com a verdade?

O trabalho dos servidores da limpeza urbana merece respeito, mas não pode servir de escudo para uma administração questionada pela população.

Contratação emergencial ou falta de planejamento?

O decreto também suspende procedimentos licitatórios e contratações em andamento na CODEG, abrindo a possibilidade de contratação emergencial.

Onde estava o planejamento? Quem será a empresa contratada? De qual estado virá? Quanto custará aos cofres públicos?

Informações que circulam nos bastidores levantam novas dúvidas, que deverão ser acompanhadas e verificadas nos próximos dias.

A possibilidade de contratação emergencial exige atenção redobrada do Tribunal de Contas, Ministério Público e demais órgãos fiscalizadores. A urgência não pode servir de justificativa para falta de transparência ou escolhas previamente direcionadas.

Se a gestão fracassou, por que o presidente continua?

O decreto estabelece prazo de sete dias para a CODEG apresentar contratos, documentos e obrigações financeiras, além de prever uma transição administrativa.

Mas a principal pergunta permanece sem resposta: se a companhia perdeu uma de suas maiores atribuições por problemas de gestão, por que seu presidente permanece no cargo?

A decisão de Rodrigo Borges também coloca em discussão sua própria responsabilidade política e administrativa. Afinal, cabe ao prefeito cobrar resultados e decidir pela permanência dos dirigentes da administração municipal.

Retirar responsabilidades sem esclarecer falhas e apurar eventuais responsabilidades não resolve o problema. Apenas transfere sua administração.

Guarapari não precisa apenas de uma nova secretaria responsável pelo lixo. Precisa de uma cidade limpa, de gestores eficientes e de explicações sobre como está sendo utilizado o dinheiro público.

Fonte: Diário Oficial dos Municípios do Espírito Santo, edição nº 3.111, de 20 de outubro de 2026, páginas 73 e 74 — Decreto Municipal nº 553/2026; publicação no Instagram @drubirajararibeiro.

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