A Prefeitura de Anchieta está sob suspeita de utilizar a máquina pública para favorecer aliados e influenciar o processo eleitoral. As apurações indicam a possível criação e distribuição de cargos e pagamentos a lideranças políticas, não apenas no município, mas também em cidades vizinhas.
Segundo denúncias em curso, a administração municipal estaria extrapolando limites ao sustentar um projeto político voltado às eleições de 2026. A situação, que está sob investigação dos órgãos fiscalizadores, passou a ser discutida com mais ênfase nos bastidores políticos após o desdobramento de decisão judicial que determinou restrições às contratações de servidores comissionados, apontando indícios de uso indevido da estrutura pública.
Há indícios de que pessoas ligadas ao ex-prefeito Fabrício Petri estariam atuando na articulação de apoio político com vistas a uma candidatura a deputado estadual. As investigações sugerem que a estratégia envolveria cooptação de lideranças por meio da oferta de cargos e benefícios.
Nos bastidores, um fator que tem contribuído para o avanço das denúncias é a atuação de um dos operadores políticos ligados ao ex-prefeito. Descrito por interlocutores como um articulador que frequentemente cria conflitos e desgastes, ele teria ampliado tensões no meio político local. Esse ambiente de instabilidade é apontado como um dos motivos que levaram aliados e pessoas próximas a romper o silêncio e relatar às autoridades o funcionamento do suposto esquema envolvendo a Prefeitura de Anchieta.
Escopo do suposto esquema

Como o esquema funcionaria, segundo as apurações
- Utilização da prefeitura para contratações sem transparência;
- Existência de uma possível “folha secreta”, com vínculos espalhados por municípios como Anchieta, Guarapari e outros;
- Indicações políticas ocupando cargos sem critérios técnicos ou atribuições definidas;
- Uso de recursos públicos para manutenção de apoio político e eleitoral.
De acordo com as investigações, o conjunto de práticas pode configurar:
- Abuso de poder político e econômico;
- Uso indevido de recursos públicos;
- Contratação indireta de cabos eleitorais com dinheiro público.
Decisão judicial impõe restrições
Embora as investigações estejam em andamento, uma decisão proferida pelo juiz Rafael Fracalosi Menezes, no último dia 16, determinou medidas rigorosas. Entre elas, a aplicação de multa de R$ 20 mil por ato de descumprimento das regras relativas a contratações temporárias e nomeações de servidores comissionados.
A decisão também prevê a possibilidade de bloqueio de recursos destinados a eventos festivos como Carnaval, comemorações de emancipação e programação de verão com eventual direcionamento desses valores para um fundo voltado à realização de concurso público. Ficaram autorizadas apenas contratações para atividades essenciais nas áreas de Saúde e Educação, desde que devidamente justificadas. A publicidade institucional também foi limitada a casos de utilidade pública urgente e obrigatória.
As investigações seguem em andamento e podem ter desdobramentos significativos, especialmente para o cenário político local.
