O prefeito municipal de Guarapari realizou a primeira mudança em seu secretariado. Marcelo Cirino, que ocupava o cargo de secretário de Obras, deixa a pasta e passa a exercer a função de Assessor Especial I, conforme publicação no Diário Oficial.

A cidade de Guarapari tem sido palco de intensas críticas à administração do prefeito Rodrigo Borges, que parece negligenciar o caos enfrentado diariamente pela população. Uma das principais reclamações refere-se à enorme quantidade de buracos espalhados pela cidade e à incapacidade da prefeitura em resolvê-los de forma eficaz.

Marcelo Cirino é um homem de bem, respeitado e querido por muitos. Foi parceiro do prefeito Rodrigo Borges durante a campanha eleitoral, porém não conseguiu implementar as intervenções necessárias à frente da Secretaria de Obras. Diante disso, a mudança foi oficializada. Cirino deve ocupar em breve outra secretaria, pois tem capacidade política para tal.

Marcelo Cirino

A Secretaria de Obras não é a única

Os desafios enfrentados pela administração Rodrigo Borges são inúmeros. No entanto, por algum motivo ainda não identificado pela gestão, o prefeito e sua equipe não têm conseguido convencer a população de que os problemas atuais são herança exclusiva da administração anterior. Pelo contrário: nas ruas, cresce o sentimento de reconhecimento pelo trabalho do ex-prefeito Edson Magalhães.

Gabinete – Articulação política ineficiente

Outro grande obstáculo da atual gestão é a fragilidade na articulação política. Desde o início do governo, o prefeito vem acumulando derrotas políticas, projetos que precisaram ser retirados de pauta para melhores tratativas e o avanço de um ambiente de insegurança.  Nos bastidores dos poderes constituídos, se questiona de forma oculta acerca da capacidade de governança do prefeito e de sua equipe.

O prefeito não conseguiu organizar bem a sua base para indicar um líder de governo na Câmara e a falta de um líder o fragiliza perante os vereadores.

Após as eleições, é imprescindível que as relações institucionais, políticas e partidárias sejam pautadas na construção e na confiança. No entanto, a equipe do prefeito não tem conseguido cumprir esse papel quando ataca aqueles que não concordam com a gestão, aprofundando um isolamento silencioso que existe entre políticos e o Poder Executivo. Alguém está sendo enganado — resta saber até quando e quem.

Empresários, comerciantes e, principalmente, lideranças políticas e partidárias avaliam que a articulação política precisa ser reavaliada para que o diálogo verdadeiro, a articulação e a transmissão de confiança passem a ser ingredientes da nova gestão.

CODEG

A Companhia de Melhoramentos e Desenvolvimento Urbano de Guarapari (CODEG) também enfrenta desafios. Contratos com valores questionados, compras questionadas, conflitos internos entre superiores e subordinados e a demora na execução dos serviços têm colocado a direção da CODEG no centro das críticas.

Ubirajara Ribeiro também foi parceiro do prefeito durante a campanha, atuou na coordenação eleitoral e é uma pessoa de boa índole e bem-quista. No entanto, sua forma de atuação à frente da companhia precisa ser reavaliada para que a gestão siga com maior segurança.

Secretaria de Cultura

A Secretaria de Cultura já é alvo de denúncias encaminhadas ao Ministério Público, envolvendo contratos questionáveis, despesas incompatíveis com as prioridades da cidade e ações que deveriam ser executadas por outras pastas.

O que poderia ser planejado e executado ao longo de quatro anos para cumprir compromissos políticos eleitorais, está sendo feito de forma muito acelerada e sem critérios claros, o que pode trazer consequências sérias para o prefeito Rodrigo Borges, mais cedo ou mais tarde.

O secretário Peterson de Castro, que não é de Guarapari, também vem sendo alvo de críticas por parte de empresários e lideranças políticas locais.

Secretaria Municipal de Integração da Cidade

A Secretaria de Integração da Cidade, responsável por áreas como Fiscalização e Posturas, não tem conseguido ordenar o município em momentos críticos. Durante os picos da alta temporada, Guarapari permanece desorganizada e desregrada, gerando transtornos, riscos e insatisfações tanto para moradores quanto para turistas.

O secretário Ronaldo Gomes é conhecido e respeitado, mas precisa reavaliar sua atuação para atender de forma mais eficiente às demandas da cidade.

Secretaria de Assistência Social

A Secretaria de Assistência Social tornou-se praticamente invisível. Após o forte impacto político da carta aberta à população escrita pela então secretária e vice-prefeita Tatiana Perim, ao se afastar do cargo, documento que evidenciou o descumprimento de compromissos assumidos pelo governo, conflitos internos e muita imaturidade política.  A população, que já não tinha conhecimento de ações efetivas da pasta, agora tem dúvidas sobre a existência da secretaria.

A cidade sofre com a problemática das pessoas em situação de rua. A falta de ações efetivas, seja para assistência e cuidado, seja para o retorno aos seus municípios de origem tem manchado a imagem da gestão.

A Secretaria Municipal de Trabalho, Assistência e Cidadania (SEMTAC) aparenta estar suspensa ou inoperante, sem qualquer divulgação de ações ou resultados. A Assistência Social precisa ser reavaliada com urgência.

Secretaria de Turismo

A Secretaria de Turismo também enfrenta denúncias encaminhadas ao Ministério Público, envolvendo contratos questionáveis, como atas de banheiros químicos, estruturas de eventos, entre outros.

Essas situações precisam ser remediadas para não desgastar a imagem de um secretário considerado sério e que gerava grandes expectativas no meio político. Fernando Otávio, embora empenhado na realização de eventos, tem negligenciado o cuidado com os equipamentos e atrativos turísticos, o que insatisfaz a população, empresários e lideranças políticas e coloca em xeque a sua capacidade político-administrativa.

Considerações finais

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (SEMDEH) também está sob o olhar atento de diversos setores, assim como outras pastas que precisam ser monitoradas e avaliadas com mais rigor para que o prefeito cumpra suas promessas de campanha e alcance resultados concretos visando um projeto de reeleição.

Rodrigo Borges precisa agir com máxima urgência. É necessário alinhar seu secretariado com critérios técnicos, metas claras e planejamento eficiente para que sua gestão, de fato, seja transformadora.

Se o prefeito não perceber que sua equipe está desalinhada, sem compromisso com a prestação de um serviço público de excelência e distante das prioridades do munícipe, conduzirá seu projeto ao fracasso político e abrirá caminho para o retorno de seu maior adversário, Edson Magalhães, cuja gestão deixou marcas claras no antes, durante e depois de seu governo.

O caos, minimizado pela atual administração, não permanecerá em silêncio por muito mais tempo. O cenário político começa a se aquecer após o Carnaval, os adversários se movimentam com mais densidade e a população já não aceita mais o discurso de que a culpa é do governo anterior. Esse argumento não convence mais.

Se Rodrigo Borges não agir a tempo, poderá desperdiçar a maior oportunidade de sua vida política.

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