Faltando poucos meses para as eleições de 2026, não há mais espaço para ingenuidade: o cenário político de Guarapari já está desenhado, e ele aponta, de forma clara, para um embate duro, direto e inevitável.
Com uma expectativa de cerca de 2,3 milhões de votos válidos no Espírito Santo, o jogo eleitoral para a Assembleia Legislativa será altamente competitivo. O quociente eleitoral deve girar na casa dos 76 mil votos. Não haverá espaço para candidaturas tímidas ou campanhas protocolares. Quem entrar terá que disputar de verdade.
E, nesse tabuleiro, Guarapari não será coadjuvante.
Muito além de nomes: disputa de narrativas
Os principais atores já estão postos. E, mais do que candidaturas, o que está em jogo é a construção de narrativas capazes de convencer uma população cada vez mais crítica e menos tolerante com promessas vazias.

Edson Magalhães (PSD) ressurge como um nome que carrega densidade eleitoral. Subestimá-lo pode ser um erro estratégico grave. Mesmo sem ocupar intensamente as ruas até o momento, seu nome circula com força nos bastidores. E há um fator que joga a seu favor: a insatisfação com a atual gestão. Em política, rejeição também elege.
Do outro lado, o grupo do atual prefeito Rodrigo Borges trabalha pela candidatura de seu tio, Sérgio Borges (MDB), um nome experiente, testado e com trânsito político consolidado. Não se trata de um novato. Sua trajetória carrega peso institucional e capacidade de articulação — algo que, em eleições proporcionais, faz diferença real.
Já Zé Preto (PODEMOS) entra na disputa com um ativo importante: mandato. Diferente de 2022, agora não está isolado. Fortaleceu seu projeto com o apoio de vereadores e lideranças da cidade. Chega mais estruturado, com entregas concretas no currículo. Em um cenário fragmentado, transmitir o trabalho realizado pode ser decisivo.
A interferência da eleição de governo na Cidade Saúde
A eleição para o governo do estado trouxe um fato novo para a política local: o reposicionamento de forças.
A saída de Edson Magalhães do grupo político ligado aos Ferraços e sua aproximação com o projeto do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, redesenham o cenário. Na prática, trata-se de um movimento estratégico de reposicionamento.

Edson segue a lógica da física, em que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Ao perceber o alinhamento de Rodrigo Borges ao grupo de Casagrande e Ferraço, optou por se reposicionar rapidamente, passando a integrar outro campo político.
E qual o efeito disso?
De um lado, um palanque mais amplo, reunindo nomes como Rodrigo Borges, Zé Preto, Tyago Hoffman, entre outros.

De outro, um campo mais enxuto, onde Edson Magalhães tende a ter protagonismo isolado dentro de um projeto político específico.

Na prática, isso significa divisão de espaço político de um lado e concentração de protagonismo do outro, um fator que pode influenciar diretamente a dinâmica da campanha.
A polarização já começou e tende a se intensificar
Apesar da pluralidade de nomes, o que se desenha é uma eleição marcada pela polarização.
De um lado, o discurso que responsabiliza gestões passadas pelos problemas atuais.
Do outro, a crítica direta à incapacidade da administração vigente de entregar o que prometeu.
Esse confronto não será técnico. Será político. Será duro. E, principalmente, será pessoal.
Não existe mandato blindado. E não existe ex-gestor imune a críticas. O que veremos nos próximos meses é uma disputa em que cada lado tentará desconstruir o outro, não apenas com números, mas com percepção pública.
E aqui está o ponto central: eleição não se vence apenas com fatos, mas com narrativa.
O eleitor mudou e isso muda tudo
Talvez o maior erro de qualquer candidato seja acreditar que está disputando uma eleição como as de antes.
O eleitor de hoje é mais desconfiado, mais exposto à informação e menos paciente com discursos prontos. Não basta ter história. Não basta ter grupo. Não basta ter estrutura.
Será preciso convencer.
E convencer significa demonstrar, de forma clara:
- Quem entregou mais
- Quem tem capacidade real de fazer mais
- E quem, de fato, representa o interesse da população, e não apenas de grupos políticos
Guarapari não aceita mais promessas vazias
A cidade vive um momento de cobrança: obras prometidas, serviços questionados, expectativas frustradas. Esse ambiente não favorece discursos genéricos.
Favorece quem tiver coragem de enfrentar o debate de frente.
Favorece quem não fugir da comparação.
Favorece quem entender que, em 2026, o voto não será apenas político, será também um voto de avaliação.
Conclusão: uma eleição que será decidida no confronto
O cenário está posto. As peças estão no tabuleiro. E o que se aproxima não é uma disputa comum.
É um confronto.
Não haverá vitória construída no silêncio. Não haverá espaço para neutralidade. E dificilmente haverá surpresa fora desse eixo já estabelecido.
Guarapari caminha para uma eleição em que o eleitor não escolherá apenas um nome.
Escolherá um lado.
E, desta vez, cada voto carregará muito mais do que preferência política, carregará julgamento.
