Nos últimos dias, o Tribunal de Contas do Espírito Santo suspendeu cautelarmente contratos da Prefeitura de Guarapari que somam quase R$ 18 milhões. As decisões não partiram de páginas falsas, perfis anônimos ou grupos de WhatsApp. Partiram de um órgão constitucional de controle, após análise técnica realizada por auditores, homologada por conselheiros da Corte de Contas e divulgada na noite de ontem por A Gazeta, veículo da imprensa estadual.
É justamente aí que surge a principal dúvida da população: O que é verdade, e o que não é? Se existe erros e culpas, de quem é?
O secretário de administração do município, fez uma publicação nas redes sociais, em meio à repercussão das decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCES), amplamente divulgadas na imprensa estadual na noite desta sexta-feira (19).
No story publicado, o secretário afirma que “hoje é muito fácil jogar o nome de uma pessoa na lama” e critica a prática de apresentar denúncias que depois são disseminadas em grupos de mensagens e redes sociais, classificando a situação como uma “engenharia difamatória” e criminosa.”
A reflexão é válida. De fato, ninguém deve ser condenado pela opinião pública antes da conclusão de investigações. A presunção de inocência é um princípio fundamental em qualquer democracia e o secretário é uma pessoa de tem o respeito da sociedade.
O problema é que o contexto em que a mensagem foi divulgada não pode ser ignorado.
Se a crítica é direcionada a perfis falsos, ataques pessoais e notícias sem fundamento, a manifestação é compreensível e merece apoio. Nenhum agente público deve ser vítima de difamação.
Mas se a publicação busca criar a percepção de que os questionamentos atuais decorrem apenas de perseguições políticas ou campanhas de desinformação, a estratégia pode produzir efeito contrário.
Afinal, o debate deixou de ser sobre boatos quando o próprio Tribunal de Contas apontou indícios que justificaram a suspensão dos contratos.
A população não está discutindo apenas uma denúncia qualquer. Está acompanhando decisões oficiais que mencionam possíveis falhas em estudos técnicos, suspeitas de direcionamento, uso recorrente de adesões a atas de registro de preços e outras questões que ainda serão analisadas no mérito.
Diante disso, talvez o momento exija menos mensagens subjetivas e mais esclarecimentos objetivos.
O cidadão quer saber:
- Os contratos são regulares?
- Os apontamentos do Tribunal serão contestados?
- Existem documentos que comprovem a legalidade dos procedimentos?
- Por que a Prefeitura optou pelas contratações questionadas?
- Quais providências estão sendo tomadas para garantir a transparência dos atos administrativos?
Essas são as perguntas que hoje devem circulam pela cidade.
Em situações como essa, a comunicação institucional precisa ser construída sobre fatos e documentos, não sobre interpretações, muito menos seguir às ruas sem o crivo da secretaria que deveria ser a única e emitir qualquer informação da prefeitura para o público, que é a de comunicação.
Quando um secretário responsável por áreas estratégicas da administração se manifesta publicamente em meio a investigações e suspensões contratuais, sua fala naturalmente adquire dimensão política e institucional. Por isso, cada palavra passa a ser analisada sob a ótica do interesse público.
A confiança da população não será restaurada por frases de efeito nas redes sociais, mas pela apresentação de respostas claras, fundamentadas e verificáveis.
O diálogo
O diálogo é sempre o caminho mais produtivo para reduzir danos, prestar esclarecimentos e ajustar novos caminhos. Há poucos dias, contratos foram de fato suspensos por suspeitas de irregularidades e atas de registro de preços foram canceladas, ou seja, erros acontecem, o que não pode ser admitido é que o prefeito seja induzido ao erro e ter como consequências, procedimentos desnecessários que possam macular a sua imagem.
No final das contas, a questão central não é quem está falando. É quem está explicando.
E até o momento, as explicações que a sociedade espera não pode ser apresentadas por storys em redes sociais.
A sociedade acredita na integridade dos agentes públicos envolvidos e em seu compromisso com o desenvolvimento de Guarapari. Espera-se que as situações apontadas demandem apenas ajustes e correções administrativas, e que não se tratem de irregularidades, desarranjos ou distorções na condução dos atos públicos.
Por Redação
