São 1h18. O silêncio ensurdecedor não me deixa dormir.
Não é o silêncio da paz, é o silêncio dos bons, dos ruins, dos ingênuos e dos experientes. Um silêncio coletivo que, dia após dia, tem empurrado Guarapari para o fundo do poço.
Em outubro de 2024, a cidade escolheu uma nova gestão. Em meio a fake news, estratégias agressivas de marketing, propagandas que lembravam práticas da Segunda Guerra Mundial e a narrativa de que apenas um candidato possuía “capacidade técnica” para governar, o eleitor foi convencido.
Com os erros de uns e as articulações profundas de outros, venceu um advogado e ex-vereador, alçado ao cargo com a promessa de transparência, competência e experiência política, alguém que tiraria a cidade das mãos de um “tirano” que governava há décadas e faria absolutamente tudo diferente.
O primeiro ano passou, e passou mal.
Erros administrativos e políticos se acumularam. O novo governo sequer conseguiu inativar seu maior rival por meio da votação de suas contas na Câmara. Ali surgiu a primeira derrota concreta e, com ela, a prova inequívoca da incapacidade política para governar.
Afinal, como ensina Sun Tzu, em A Arte da Guerra, derrotar o adversário dentro das regras institucionais define a qualidade da liderança e do regime.
Um governo à deriva
A incapacidade não se limitou ao campo político. Rapidamente vieram os conflitos internos de gestão, as críticas à condução administrativa e as péssimas escolhas para determinadas pastas e gabinetes.
Não se trata de afirmar que as pessoas sejam ruins, mas sim que estão e continuam em lugares inadequados. Pequenas mudanças poderiam gerar grandes transformações, mas as amarras, a incompetência e a negligência transformaram o novo governo em um barco à deriva: consome combustível, energia e tempo, sem chegar a lugar algum.
O prefeito
Rodrigo Borges é jovem e promissor. Tem personalidade difícil, não costuma aceitar opiniões com facilidade, mas é corajoso e inteligente. Chegou aonde chegou independentemente dos meios.
Seu maior problema, contudo, é estar cercado por pessoas que não sabem administrar críticas e desafios de forma construtiva, apenas de maneira destrutiva, e isso, na política, é extremamente perigoso.
Não se pode transferir a culpa para todos o tempo todo.
Se um empresário contrata funcionários ruins, ele é ruim. Na política, a lógica é a mesma: se há pessoas incapazes de promover as transformações necessárias, ruim é o gestor que as escolheu.
Fora Edson ou volta Edson?
Se antes tínhamos um prefeito que não dialogava, governava à sua maneira e pouco ouvia a sociedade, ampliando abismos, ao menos dava conta do recado. Hoje, temos alguém que dialoga, ouve, mas não escuta. A diferença é clara: o antecessor entregava resultados, enquanto o atual não consegue sequer manter as ruas limpas.
Lixo, mato e abandono
A limpeza traduz a essência de uma casa. A limpeza de uma cidade revela, com precisão, a qualidade da gestão.
Guarapari parece uma selva urbana: lixo voando pelas ruas, sujeira espalhada por calçadas, ruas e avenidas. E ninguém, absolutamente ninguém, parece enxergar.
Como cantou Legião Urbana, há “sujeira por todos os lados”.
E se alguém acredita que a sujeira está apenas nas ruas, pode estar enganado.
A blindagem e os crimes
Muitos ainda respeitam excessivamente a figura do prefeito e evitam denúncias, críticas ou exposições. Mas até quando isso vai durar?
Entre todos os crimes praticados, o maior é a blindagem popular. Assim como Adolf Hitler utilizou propaganda para manipular o povo, criando uma falsa sensação de normalidade, Guarapari sofre hoje com uma manipulação midiática em massa, financiada por recursos públicos para blindar o governo.
Publicidade institucional disfarçada, desvio de finalidade de cargos públicos, violações aos princípios da moralidade, impessoalidade e legalidade. É apenas questão de tempo para surgirem ações de improbidade administrativa. E por quê?
Porque o governo não aceita críticas. Vive uma continuidade grotesca, medíocre e suja do processo eleitoral. Não entendeu que a eleição acabou. Age publicamente como se tudo estivesse resolvido, mas erra nos bastidores como quem nunca amadureceu politicamente.
O silêncio que antecede o colapso
O silêncio ensurdecedor está tirando muita gente do sério.
E quando essas pessoas se organizarem para mostrar ao povo de Guarapari que tudo não passa de propaganda de mau gosto, e que o naufrágio está logo ali, não adiantará tentar desqualificar o crítico para enfraquecer a crítica.
Podem fingir demência à vontade. Só não esqueçam: o povo comenta diariamente seu arrependimento, sua insatisfação e a falta de esperança de que este governo mude de rumo, faça as correções necessárias e entregue tudo aquilo que prometeu.
Mais um aviso
Prefeito, não trate este texto como chacota, nem compare mais uma crítica séria a um delírio.
Abra os olhos. Afaste os tolos. Comece a enxergar e tome atitudes enquanto ainda há tempo.
