A Prefeitura de Guarapari tenta convencer a população de que transformar a cidade em um grande palco de festas, antes mesmo de promover sua reestruturação básica, é o caminho para aumentar a arrecadação e, assim, viabilizar investimentos. No entanto, permanece a dúvida central: de que arrecadação estamos falando? Do IPTU — reajustado de forma abrupta — ou de uma suposta arrecadação turística que, até o momento, carece de comprovação concreta?
Guarapari encerrou o ano de 2025 com um retrato preocupante de ingerência administrativa. Secretarias que não dão conta de suas atribuições, secretários que aparentam pouco compromisso com o município e com os munícipes, ruas e avenidas sujas, canteiros e calçadas tomados pelo mato, quebra-molas mal executados e serviços públicos precários. Um cenário muito distante daquele esperado pelo eleitor.
A promessa: mais shows, mais arrecadação
A atual gestão sustenta que quanto maior o investimento em eventos, maior será o retorno financeiro para os cofres públicos. O chamado “Esquenta Guarapa Verão 2026”, no entanto, já nasce cercado de questionamentos, denúncias no Ministério Público, recomendações contrárias do Tribunal de Contas e uma verdadeira festa de palcos, estruturas, som e iluminação espalhados pela cidade.
Na prática, a escolha foi clara: priorizar eventos em detrimento da infraestrutura urbana, enquanto ruas e avenidas deterioradas seguem causando prejuízos ao patrimônio e testando a paciência da população.
A justificativa oficial e as perguntas sem resposta
Representantes da prefeitura insistem que o investimento milionário em eventos garantirá aumento de arrecadação suficiente para, posteriormente, devolver à sociedade obras e serviços públicos. Mas a pergunta permanece: como exatamente essa arrecadação será mensurada e comprovada?
Ao final do verão, será imprescindível uma análise minuciosa de todos os contratos firmados — inclusive o de banheiros químicos, que levanta sérias dúvidas. Durante o período, o PolíticaES circulou pela cidade verificando quantos banheiros estavam efetivamente disponíveis e por quanto tempo foram utilizados.

Algumas questões seguem sem resposta:
- Fizemos shows para quem?
- Esse é o turismo desejado?
- Qual o valor total do investimento realizado para eventos no verão 2026?
- Os setores de fiscalização atuaram para garantir que produtos comercializados fossem devidamente registrados, com emissão de nota fiscal?
- Como fiscalizar pagamentos realizados em dinheiro ou via PIX, que não permitem rastreabilidade adequada?
Sem controle efetivo, não há como afirmar que houve aumento real de arrecadação. Resta a suspeita de que o crescimento dos números poderá ser artificialmente sustentado pelo aumento estrondoso do IPTU, e não por receitas oriundas do turismo.
Ação judicial contra o aumento do IPTU
Parlamentares estão avaliando à pedido da população e entidades representativas, medidas para impedir o aumento do IPTU em Guarapari. Segundo o deputado estadual Wellington Callegari, a situação exige extrema cautela, pois além de injusta com a população, pode ter sido conduzida de forma indevida. O caso está em análise e providências poderão ser adotadas.
A imagem da gestão em xeque
Embora uma parcela da população apoie a realização de eventos, cresce o número de críticas à falta de prioridade da gestão. Caso o discurso oficial não se converta em resultados concretos, a imagem do governo municipal deixará de estar apenas sob questionamento e passará a refletir uma incapacidade clara de gestão, especialmente diante da dificuldade em prover o básico à população.

E você, o que pensa sobre o atual governo? Concorda com investimentos milionários em eventos antes de garantir serviços públicos essenciais? Ou acredita que os shows realmente trarão os recursos necessários para resolver problemas da cidade?
O PolíticaES seguirá publicando uma série de matérias, artigos de opinião e reportagens sobre Guarapari — uma cidade que, para muitos, parece não estar no caminho certo.
